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THE WHO ESTREIA NO BRASIL COM POUCO PAPO E MUITO ROCK
22/09/2017 09:33 em MÚSICAS

Quem assistiu ao The Who em São Paulo na noite desta quinta-feira (21) viu lendas vivas da história do rock estrearem, depois de 53 anos de carreira, em palcos brasileiros (e latino-americanos). O momento sem dúvida foi histórico para os fãs, em sua maioria quarentões e quarentonas, que assistiram a uma apresentação meticulosa, sem firulas, e com os principais hits dos britânicos. De “The kids are allright” a “Pinball wizard”, não faltou nenhum. A banda agora toca no Palco Mundo do Rock in Rio no sábado (23). E se você vai estar lá, não deve ver um show espetacular ou com truques nas mangas. Aqui é pouco papo e muito rock.

Quem são vocês?

O The Who quando era jovem inventou a “quebração” de instrumentos no palco. E esses caras sobreviveram a décadas pesadas de sexo, drogas e rock’n roll. Mas agora septuagenários, o vocalista Roger Daltrey e o guitarrista Pete Townshend – últimos remanescentes da formação original – adotam outra estratégia de palco.

Cada um fica no seu quadrado durante o show de quase 2 horas, que teve bis, e praticamente não interagem entre si ou falam com o público. Rola um ”Em meu nome, o de Roger e de toda a banda, estamos tão felizes de estar aqui com vocês” da parte de Pete, mas é meio que isso. Mas frios? Nem um pouco.

“Baba O’Riley”, a penúltima antes do bis, tirou a plateia do chão com sua linha de teclados ainda moderníssima e que é retrato da influência psicodélica do The Who.

“Who are you”, a terceira do setlist, chega a emocionar. Retratos de Daltrey, Townshend e do finado baterista Keith Moon (morto em 1978) ainda jovens surgem no telão e inevitavelmente contrastam com a imagem dos artistas hoje. Fica aquela vibe de “o tempo passou, mas a música sobreviveu”. A curtição e o esforço, olha lá, valeram a pena.

Já “My generation”, hino máximo da banda, traz o momento que deve ser piada no exterior há décadas. Roger Daltrey canta “Tomara que eu morra antes de ficar velho”. E cá ele está, 52 anos depois da música ser lançada, interpretando a mesma canção para um público que ficou velho e não morreu só para assistir ao The Who ao vivo.

Escola do rock

Apesar de a empolgação não ser a mesma, Daltrey mostra que ainda tem lenha para queimar como frontman do Who. A voz não é tão forte quanto antes, mas segura firme nos momentos mais difíceis, como as esticadas de “Bargain”, “Love, reign o’er me” e o grito final de “We won’t get fooled again”.

E se Townshend não destrói nenhum dos seus instrumentos, ao menos ele entra na mente do público com suas linhas de guitarra pouco ortodoxas e letras sócio-políticas (ele é o principal compositor do The Who). E um ânimo especial em tocar as canções do álbum “Quadrophenia”, que considera sua obra-prima.

Fica ainda o destaque para o baterista Zak Starkey. O filho de Ringo Starr parece multiplicar os braços no fundo do palco e, como um polvo, não deixa a peteca cair mesmo nas frases mais volumosas e cheias de contratempos musicais do “tio” Keith Moon. A história diz que Ringo não queria que o filho entrasse para a música, quando Keith comprou a primeira bateria de Starkey.

No fim das contas, a real é que o The Who demorou tanto tempo para vir ao Brasil que, apesar da idade avançada, a banda soa mais original do que nunca. É a ideia perfeita de um show, se você for pensar: músicas que são hino pra fãs e quem “já ouviu falar” (algumas foram trilha da série “CSI”), mas que nunca foram escutadas em carne e osso.

Em entrevistas recentes, Townshend já disse que odeia o rock'n roll, odeia tocar com o The Who, odeia Roger e todo o resto. Mas que quando sobe no palco e se assiste tocando muito bem, e rindo e curtindo, ele pensa: sou um ótimo ator. Então senhor, por gentileza, continue atuando por muitos anos. As crianças vão ficar bem.

FONTE: https://g1.globo.com/musica/rock-in-rio/2017/noticia/the-who-estreia-no-brasil-com-pouco-papo-e-muito-rock.ghtml

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